tão simples quanto
15/05/2012 14:07

Eu não tenho roupa

O guarda-roupa abarrotado e uma constatação: não tenho roupa. E não é que eu não tenha o que vestir num evento específico que exija um traje mais elaborado. Não tenho roupa pra sair de casa. Pra comprar aspirina na farmácia e buscar a filha na creche.

Mas como, se o armário tá cheio?
<tipo de pergunta que namorado/marido faz; mulher nenhuma perguntaria isso, porque, sim, compreendemos>

Fonte: Thinkstock

Há que se considerar que minhas peças de vestuário englobam, pelo menos, cinco numerações diferentes. Esse negócio de engordar e emagrecer faz dessas: umas calças que a gente guarda pra nunca mais ser manequim 46, outras pra se iludir com a possibilidade de voltar a vestir 38. Ai ai.

Essa é uma metade do problema. O restante do armário tem várias peças eu só usei uma vez. Algumas outras, nenhuma. Essa devia ser a solução pro dilema do que vestir, mas é o problema: a louca das compras.

Criatura mítica que se esconde em grandes liquidações ou lojas aparentemente fantásticas, com o poder de fazer você se parecer com a Beyoncé com qualquer roupa (vale até calça saruel e blusa com manga morcego). Induz a compradora a um estado de transe profundo, provando todas as peças e levando tudo. Tudo. É prima da louca da tequila, aquela que vive nos bares e faz você acordar no outro dia pensando “o que foi que eu fiz” – quando, veja bem, não há nada sensato a ser feito, a não ser ir embora.

Metade do conteúdo do meu guarda-roupa não serve, a outra metade não faz o menor sentido. Tudo culpa da louca das compras. Ou é isso ou as lojas têm espelhos que eu devia considerar comprar pra minha casa.

<suspiro>
Olha, tá puxado.

Comentários ( )
Letícia Junqueira Letícia Junqueira
    Porque todo mundo adora um luxo, mas algumas coisas deviam ser simples – a vida, por exemplo.
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