Ah, se fosse...
A gente tem mania de achar que o simples é prosaico. Sai de casa, encontra o cara na primeira esquina; é amor, ele te adora imediatamente e vocês são felizes pra sempre. Fim.
Na primeira esquina, hoje, tinha uma carrocinha de garapa - e sair com o vendedor de garapa é de arruinar qualquer dieta. Quadragésima oitava esquina, o cara não estava. Nem hoje, nem amanhã. Quando ele finalmente aparece, carrega uma loira a tiracolo. É gay. Usa mocassim. Não quer se envolver.
Simples é entender que não funciona assim. É não se boicotar porque o vendedor de garapa apareceu. É não se iludir por causa da localização geográfica do garapeiro ou aceitar que o vendedor de garapa pode, sim, ser o amor da sua vida. Qualquer coisa que faça você feliz, de tomar um sorvete na esquina a pedir demissão, sempre será simples.
Aquele dia em que nada demais aconteceu – você comeu uma comida legal, preguiçou no sofá, jogou conversa fora com os amigos – nunca será lembrado como o melhor dia. Nunca. Porque a gente enlouquece achando que simples é impossível e faz aqueles planos loucos de felicidade.
Ele teria ligado naquele dia. Nós morreríamos juntos, pra ninguém sentir saudade. Todo mundo passaria no vestibular. Não existiria vestibular. Os salários seriam altos. As crianças nasceriam prontinhas, sem a gente ter que dar de comer ou dizer que não pode. Desemprego seria opcional. Amizades não terminariam. Namorados não trairiam.
Se fosse simples, talvez a gente só aceitasse que o mundo é meio torto mesmo. E que dá pra ser feliz nele. Com ou sem o cara da primeira esquina.
Fonte: Thinkstock
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Começar um blog novo é como um primeiro encontro de dar engulhos. A gente tem medo de dizer que gosta de A Noviça Rebelde e o cara nunca mais ligar. Ah, se fosse simples.


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