Eu tenho um certo pavor a cabeleireiro, manicure e depilação. Não me julguem.
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Eu nunca fui frequentadora assídua de salão. Nunca tive sessões semanais com a manicure (porque eu roía unha mesmo), prefiro usar gilete e eu mesma pintava meus relativamente poucos fios brancos. Quer dizer, eu só ia mesmo cortar cabelo, umas duas ou três vezes ao ano. Tenho um certo pânico de tanta mulher junta fazendo coisa como depilar os pêlos do nariz (se você nunca viu essa cena, você é feliz e não sabe).
Pra que, minha gente? Pra que?
Ao mesmo tempo, invejava as mocinhas bem cuidadas e essa paciência que nunca terei naturalmente. Decidi: vou tentar. Começou com um corte e, já que eu tou aqui, vamos aproveitar e pintar. Ah, seria legal se o cabelo pudesse sair do preto pro castanho, né? Seria. Cabelo lindo, conta paga, vamos embora.
Na segunda vez, busco a mesma profissional. O princípio básico para ser figurinha fácil no salão é conhecer quem trabalha lá por nome, perguntar do filho e da família de Minas Gerais. Então vamos lá. Comecei me reapresentando: pintei o cabelo com você há dois meses... “Ah, não é você que tem uma filhinha que ia entrar na creche?”. Eu mesma. Conexão feita.
─ Sabe, eu queria clarear meu cabelo um pouquinho mais...
─ Ah, você quer que eu abra a cor, então...
Começou o linguajar específico do metiê; e eu lá sei o que é abrir cor? Eu quero que fique mais claro. Um pouco mais claro. Tá, meu bem. Papelzinho laminado no cabelo, sentindo o calorzinho na nuca. Ela lembra de mim, vai ficar bacana.
Uns quarenta ou cinquenta minutos depois (não é tempo demais? nãããão), vamos lavar e ver como ficou. Hidratação, sento na cadeira, ela começa a secar a mecha da frente. Eu começo a travar.
─ Vai ficar dessa cor, tá?
─ Mas... tá loiro.
─ Ué, mas você disse que queria abrir a cor.
(duvido, eu nem sei o que é abrir a cor!)
─ Loiro. Loi-ro. Não. Não. Loiro. LOIRO!
Foi isso que eu consegui dizer, em meio a umas engasgadas. Toda aquela vibe Quero Ser John Malkovich (tem o vídeo ali embaixo se você não lembra; substitua "Malkovich" por "Loiro" e você terá uma boa noção da cena). Existem uns 9 mil tons de marrom/castanho no mundo, mas se você chegar no salão e disser que quer clarear um pouco, vão te deixar loira. É isso. E não adianta que a cabeleireira/colorista lembre da sua filha, saiba que você é do Paraná e tá fazendo dieta. Ela não lembra que você odeia loiro. Odeia mechas. Odeia aquele cabelo que agora você tem que chamar de seu.
Passei na farmácia e comprei um tonalizante. Devo aparecer no salão daqui a uns seis meses, pra tirar só as pontinhas.
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Por outro lado, já consegui ir à manicure duas semanas seguidas. Estou orgulhosa.